NELSON RODRIGUES E COPA DO MUNDO: TUDO A LER

>> quinta-feira, 26 de junho de 2014

Literatura para ler durante a Copa do Mundo

 

          Em tempos de Copa do Mundo, nada melhor do que também adequar a leitura nossa de cada dia às emoções desse período ...> >>continuar lendo

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>> domingo, 26 de janeiro de 2014

Farfalle com salmão defumado
           

— Você gosta de farfalle? 
— Oi?
— Farfalle. Farfalle com salmão defumado?
— Sim, mas ainda não comi com salmão não! — respondi sorrindo para ela, uma moça com ar de pós-moderna.
Estávamos sentados no mesmo banco da Praça Sáenz Peña.  Ela ...
  
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Fim: primeiro romance escrito pela atriz Fernanda Torres

>> sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Fim: o começo
"FIM": 1º  ROMANCE ESCRITO POR FERNANDA TORRES
“FIM”: 1º ROMANCE ESCRITO POR FERNANDA TORRES
        Fim é título do primeiro romance escrito pela atriz Fernanda Torres. Mesmo sendo uma obra de estreia, a autora já apresenta maturidade e intimidade na escrita literária. Dada a essa intimidade, Fernanda Torres tem tudo para figurar na célebre elite dos grandes escritores brasileiros. Afinal, quem já figura no seleto grupo dos melhores da dramaturgia nacional, graças á competência e determinação, não vai demorar muito para galgar esse novo espaço.
          “Fim” não conta especificamente uma história, mas histórias — prefiro grafar com  “h” em função da maneira convincentemente real em que a autora apresenta as personagens e as ações no romance. No enredo, transitam cinco personagens principais ( Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro). Cada um desses personagens tem um espaço bem definido no livro; tão definido que o nome de cada um serve para nomear as partes principais  do romance,  capítulos em que, em vez de aparecer numerados, são nomeados. Cada capítulo dá ênfase a uma personagem, sem desprezar ou esquecer os demais. Ao abrir a página inicial de cada capítulo, o leitor já tomará conhecimento das datas de nascimento e morte da personagem titular. O que acontece nesse espaço entre a vida e a morte é um   recheio de ações cuja leitura é extremante apetitosa ao nosso intelecto.
          Um romance onde valores morais e amorais — drogas, sensualidades exacerbadas, amores ou ausência desse sentimento — são retratados enquanto o  tempo vai passando e esculpido suas marcas em  cada personagem,  geralmente  na faixa dos setenta, oitenta anos, moradores de Rio, mais precisamente em Copacabana, ambientado em  nossa década e retroativo as três ultimas décadas do século passado.
          “Fim” não é uma obra para apenas uma simples leitura de entretenimento. Ele nos ativa naturalmente nosso lado filosófico de ser. Em um enredo em que várias etapas da vida  das personagens são narradas, à medida que vamos lendo, é natural que  perguntas possam  surgir em nossa cabeça: Como será minha vida na velhice? Como será o meu fim? Que eu tenho feito e farei da minha vida?
          Se Zygmunt Bauman ou qualquer especialista em pós-modernidade lesse o romance de Fernanda Torres, certamente  diria que a obra é o retrato fiel da sociedade líquida e pós-moderna em que vivemos, em função da narrativa muito bem organizada em torno de valores ou ações, relacionamentos momentâneos e frágeis dentro de um mundo veloz.
          Novidades literárias nessa obra? Sim! A começar pelo foco narrativo. Nas primeiras trinta páginas, foco narrativo na primeira pessoa, depois, em outra fase do capitulo: foco na terceira pessoa. Ao longo do livro, há uma alternância desses focos, muito bem arquitetados pela recém-escritora. É também singular a maneira como ela retrata os personagens no romance, constituindo belas evoluções literárias.
         Sem dúvida, “Fim” é o começo de uma também promissora carreira literária para essa grande mulher de sucesso.
          Vale a pena ler.
Por Vald Ribeiro
Trechos:
“Desintegro no ar sobre Copacabana. Uma vez, li que a morte era o momento mais significativo da vida, e é mesmo. A minha foi boa, está sendo, não por  muito mais.”                            (Página 30)
“Entrei como saí. O homem não muda, transmuta sempre igual. Até a próxima eternidade.”                  (Página 77)
FICHA TÉCNICA:
Título: Fim
Autora: Fernanda Torres
Editora: Companhia das letras
Páginas: 203
Preço: 34,50
Publicado em PÁGINA EXTRA
http://paginaextra.com.br/?p=192

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PROJETO PARA DISTRIBUIÇÃO DE TEMPO DOS PRESIDENCIÁVEIS

>> terça-feira, 7 de janeiro de 2014


            Dois amigos políticos em um requintado botequim da zona sul:
— Você viu? A grande  Imprensa está com Dilma e não abre.
— Como assim?
—Vi no site da  Veja.  A Dilma aparece mais na imprensa do que Aécio.

— Será que a Grande Mídia está com a Dilma?

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NATAL DOS MENSALEIROS

>> terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Agora que os mensaleiros da Papuda ficaram mesmo sem as regalias que eles tanto almejavam para o Natal, começam a surgir especulações de como será o Natal deles. Eu estava á mesa de um café e ouvi — obviamente sem querer — três rapazes e duas moças  sentados  em uma mesa próxima a que eu estava discutindo sobre o triste Natal  dos mensaleiros.  

                  Uma moça dizia, em tom profético, que os mensaleiros tentariam dar um mensalão ou mensalinho para os carcereiros para deixar entrar ao menos as iguarias natalinas. Outro rapaz, o mais eufórico do grupo, dizia em alta voz que os mensaleiros receberiam, sem mensalinho  ou  mensalão, uma plausível ceia natalina, que chegaria até eles por  pura piedade da direção do presídio. Ele até justificou que tinha sido assim nos primeiros dias da prisão dos mensaleiros.

                 Enquanto eu tomava meu mate gelado, e ouvia — sem querer — essas conversas fiquei também pensando: como será o Natal dos Mensaleiros da Papuda?

                Provavelmente, um deles deverá lamentar:100_0990

—Nunca na história desse país, passamos um Natal tão pobre!

                Daqueles veteranos olhos de heróis da esquerda brasileira, deverão verter lágrimas  — crocodilo ou de sangue? — tanto faz, mas lágrimas!

                Outro, movido pela fé, lembrará  de Jesus, e ao lembrar de Jesus, pensará  nos ensinamentos do Mestre Divino, e quem sabe, a mente  desse mensaleiro, portará para a história de Lázaro, o leproso. E na sua mente cansada e tumultuada de emoção, haverá de, em devaneio, pedir ao mestre vermelho que molhe ao menos um dedo em um vinho  Chateau Margaux e molhe a língua porque estará atormentado de desejos-natalinos-capitalistas-burgueses e sedento dessa bebida dos deuses.

                Outro, provavelmente  dormirá cedo e sonhará com Papai Noel. Um barbudo Papai Noel de vestes bem vermelhas, usando na lapela um boton com fundo vermelho e contorno branco. O bom velhinho não teria entrado pela chaminé, mas pela porta principal e trazendo um delicado saco branco e mesclado de estrelinhas vermelhas, sois amarelos, foices e martelos entrecruzados, além de outros  símbolos estranhos. E ele então tiraria do saco alvarás de soltura para ambos presos políticos  — eles  acham que são presos políticos. E todos se regozijariam e sairiam lépidos da prisão.

                Todos haverão de lamentar a frouxidão  do Planalto em não ter concedido um indulto de Natal. Comerão — em vez  de perus requintados, rabanadas, paletas suínas com figos e vinho do porto, bolo de nozes, etc  —  quase o pão que o diabo amassou, já que terão, assim como os demais presos, uma plausível marmita com itens natalinos.

                Com certeza, os mensaleiros da Papuda terão  um Natal infeliz, porém bem mais  feliz que os vinte milhões de brasileiros que ainda estão abaixo da linha de pobreza.

Vald Ribeiro

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